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Empreendedorismo Corporativo : por que isso interessa às empresas?


Por Alvaro Armond

 

Na minha experiência como educador na área do Empreendedorismo, uma situação tem sido claramente recorrente. A cada início de semestre nas Faculdades Ibmec em São Paulo, pergunto aos meus alunos : por que vocês escolheram o curso de Empreendedorismo? A compilação das respostas trás, invariavelmente, o mesmo resultado :

 

a)     uns poucos estão interessados em iniciar um negócio próprio o mais rapidamente possível;

 

b)     um número maior deles pretende empreender em algum outro momento da vida, preferivelmente depois de alguma experiência trabalhando para uma grande empresa;

 

c)      e, a esmagadora maioria deles,  nunca pensou em ter um negócio próprio mas escolheu a disciplina porque sabe que “espírito empreendedor”  é hoje um requisito definitivo para quem pretende ter uma carreira de sucesso no mundo corporativo.

 

Esse mix de interesses e objetivos é que acaba determinando o perfil instrucional do curso : a busca permanente de um delicado equilíbrio entre a temática e a abordagem voltadas para o Empreendedorismo de Mercado e as questões e metodologias orientadas para o Empreendedorismo Corporativo.

 

O Empreendedorismo Corporativo, ou seja, aquele praticado dentro das organizações, e que foi “batizado” pelo professor americano Guifford Pinchot III de Intrapreneurship, ou Intraempreendedorismo em português, não é na verdade um fenômeno recente. Pelo contrário, nos últimos 100 anos diversas empresas tiveram no comportamento empreendedor e na conseqüente geração de inovações a base para o sucesso. A Minnesota Mining & Manufacturing, a conhecida 3M, é um exemplo incontestável disso.

 

Mas porque então o tema passou a despertar tanto interesse no mundo empresarial mais recentemente; a ponto de orientar a escolha de meus alunos pelo curso de Empreendedorismo ? Obviamente, a resposta não é simples e o fenômeno não pode ser explicado a partir de uma única fonte ou interpretação mas parece não haver dúvidas de que essa “corrida ao espírito empreendedor” é fortemente influenciada pelo dramático aumento da competição em todos os ramos de atividade empresarial. 

 

Por conta desse acirramento da concorrência, algumas organizações perceberam que é necessário mudar. Até hoje, elas normalmente perseguiam o sucesso através do estabelecimento de vantagens competitivas baseadas em custos baixos, qualidade do produto ou excelência em atendimento, por exemplo. Com certeza, esses são fatores estratégicos da maior importância, que são e continuarão sendo fundamentais para um posicionamento mercadológico vitorioso. O que acontece atualmente é que, embora importantes, essas vantagens competitivas não são mais suficientes. A partir de agora, a velocidade das mudanças tecnológicas, a imprevisibilidade do cenário econômico, o aumento do nível de exigência dos mercados, enfim, todo esse quadro resultante do que se convencionou chamar globalização, estão produzindo um ambiente onde a vantagem competitiva que realmente vai fazer diferença é uma só : a capacidade de gerar novas vantagens competitivas de forma sistemática e contínua.

 

É aí que entra o comportamento empreendedor. Profissionais com iniciativa, visionários, sem medo de tentar e que aprendem com os erros, determinados, criativos, ousados e capazes de mobilizar recursos e implementar novos negócios dentro do ambiente corporativo, são a única forma de se estabelecer essa vantagem competitiva definitiva.

 

Mas não se deve subestimar a magnitude do desafio de se criar uma ambiente onde o Empreendedorismo Corporativo possa florescer. Os obstáculos são muitos e complexos e vão desde o comprometimento da alta direção até os sistemas e políticas de avaliação e reconhecimento dos profissionais, passando pelas questões relacionadas ao financiamento dos novos projetos.

 

O desafio é enorme. Exige foco, determinação e liderança. Mas para conquistar e manter um posicionamento consistente e de destaque na arena competitiva, uma empresa não pode deixar de estimular a inovação e usar efetivamente o comportamento empreendedor de seus colaboradores. O Empreendedorismo Corporativo é hoje o caminho certo para as organizações que vão chegar ao futuro.

 

 

                                                                     Alvaro Armond é Consultor, Professor e Coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec /  SP.

 

*Texto fornecido por Boucinhas e Campos Educação.

www.boucinhaseducacao.com.br

 

 

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